16 de fev de 2011

Balanço contábil de 2010 do Banco Panamericano confirma prejuízo de R$4,3 bilhões

Só em dezembro, o prejuízo foi de R$133,6 bilhões. Foi constatada uma série de irregularidades contábeis no fim do ano passado

O Banco Panamericano divulgou, na madrugada desta quarta-feira (16), seu balanço de 2010, anunciando um prejuízo, só no mês de dezembro, de R$133,617 milhões e confirmando o prejuízo total de R$4,3 bilhões devido a irregularidades contábeis. O resultado inclui as empresas do grupo nos segmentos de seguros, arrendamento mercantil e a administradora de consórcios. Em relação somente às operações do banco, o rombo, em dezembro, foi de R$ 142,244 milhões.

A decisão da administração de não informar os resultados de todo o último trimestre de 2010 deve-se às irregularidades constatadas no balanço, que não permitem base de comparação. Além do buraco de R$ 3,8 bilhões, provocado principalmente por irregularidades contábeis, um prejuízo extra de R$ 500 milhões apareceu depois que o balanço foi colocado em ordem, segundo informações do jornal
O Estado de S. Paulo.

Segundo o relatório da companhia, "a complexidade dos mecanismos adotados na geração das inconsistências contábeis impediu a definição do momento exato em que começaram a ocorrer as irregularidades contábeis e fragilidades dos controles internos que ocasionaram a falta de confiabilidade dos registros".


Por causa dessa situação, "a administração não encontrou alternativa que não a de estabelecer uma nova base contábil confiável, através da elaboração de um balanço patrimonial especial de abertura". Para análise da situação patrimonial, foi feito um levantamento dos direitos e obrigações da companhia tendo como ponto de partida a data de 30 de novembro de 2010 – em vez de 31 de dezembro de 2009. Essa medida foi tomada "em decorrência da inviabilidade de se mensurar, pelo exercício social já encerrado, as significativas distorções contábeis decorrentes das inconsistências e demais irregularidades identificadas, ou mesmo, de se reelaborar demonstrações financeiras confiáveis de exercícios anteriores”, continua o documento.


Da quantia de R$4,3 bilhões apurada em dívidas, o relatório aponta as seguintes inconsistências: R$ 1,6 bilhão referente à carteira de crédito insubsistente; R$ 1,7 bilhão referente a passivos não registrados de operações de cessão liquidados/referenciados; R$ 0,5 bilhão referente à irregularidades na constituição de provisões para perdas de crédito; R$ 0,3 bilhão referente a ajustes de marcação a mercado; e R$ 0,2 bilhão referente a outros ajustes.

De acordo com o relatório, “ajustes corretivos” realizados em novembro de 2010 acabaram refletindo sobre a estrutura de capital do banco, o que ocasionou um desenquadramento em relação aos limites operacionais regulatórios – Índice de Basileia e margem operacional.

O Banco Panamericano espera reverter esse desenquadramento até o final de fevereiro. Para isso, considerará os negócios já realizados no mês de janeiro de 2011, o suporte oferecido pela Caixa Econômica Federal, pelo novo controlador, o Banco BTG Pactual, e pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), além do depósito adicional de R$ 1,3 bilhão feito em conta de "Depósito de Acionista" pelo então controlador, o Grupo Silvio Santos, em 31 de janeiro passado.


O banco afirma ainda que as demonstrações financeiras consolidadas, a serem preparadas de acordo com as práticas contábeis internacionais (IFRS), serão encaminhadas ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), dentro do prazo regulamentar, conforme o documento.


Em 31 de dezembro de 2010, o capital social do Panamericano era representado por 244.343.940 ações, sendo 131.881.028 ações ordinárias nominativas e 112.462.912 ações preferenciais nominativas. Após aprovação do Banco Central, na data de 31 de janeiro o BTG Pactual passou a deter 37,6% do capital total (fatia antes do Grupo Silvio Santos), a CaixaPar, que já era acionista, manteve-se com 36,6% e os demais 25,8% estão no mercado (free-float).

Segundo o G1, o superintendente do Banco Panamericano, Celso Antunes da Costa, informou hoje, quarta-feira, na apresentação do balanço, que não havia sido identificado nenhum tipo de desvio de recursos nas operações da empresa. ""Isso a gente não identificou e não nos cabe identificar. Nós fizemos um levantamento, não uma investigação", disse. O que se descobriu, conforme apurou a reportagem do portal, é que ocorria manipulação de números para cobrir prejuízos.

Fonte: Redação Época, com Agência Estado

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